Pr. Carlos Mendes

Se você perguntar à maioria das pessoas que se declaram “crentes”, se a igreja é importante elas vão dizer que sim. Se essa pergunta, então, for feita a membros de uma igreja reformada, com certeza, a maioria esmagadora vai dizer que sim, ir à igreja é importante. No entanto, em minha própria igreja nunca tivemos um culto em que todos aqueles que se declaram membros, ou seja, que fizeram uma pública profissão de fé e foram batizados, estivessem presentes. Doenças? Problemas de trabalho? Concursos públicos? Será que são esses os motivos que fazem as pessoas não irem à igreja? A meu ver, esses pontos justificam algumas ausências, mas em sua vasta maioria não é isso que impede às pessoas de irem à igreja aos domingos. Elas simplesmente não vão porque não querem, não estão afim, ou tem coisas mais importantes a fazerem. O que essa atitude revela?

Abaixo apresento algumas questões que essa atitude revela:

1 – Individualismo.

A grande maioria das pessoas não vai à igreja simplesmente porque não quer ir,  e isso revela um problema mais profundo existente no coração: individualismo, ou seja, o pensamento ou ação independente, sem depender dos outros ou sem se sujeitar à normas gerais, a crença de que os interesses do indivíduo estão acima dos interesses comunitários.

Eis o ponto da questão, pois quer queiramos ou não, no momento em que confessamos Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador, ou seja, quando nos tornamos cristãos, nos tornamos também membros da igreja cristã. Ser membro de uma igreja é o corolário da fé cristã. É impossível ser um cristão e não fazer parte de uma igreja, da família da fé. E isso não é opcional, isso é parte da estrutura da redenção.

No entanto, tem sido cada vez mais comum os “cristãos” se recusarem a responder ao chamado à adoração a cada domingo; cristãos que dizem que amam a Deus, mas detestam a igreja (como se isso fosse possível). Mas eles se esquecem, e eu gostaria de lembrá-los, que a cada domingo que o povo de Deus se reúne em adoração nosso senso de individualismo que é o oposto do nosso chamado, é confrontado. Somos lembrados que o projeto de santificação é um chamado comunitário. E só nessa relação comunitária ele acontecerá.

 2 – Recusa em abandonarmos os nossos pecados.

A igreja tem a intensão de nos lembrar da condição miserável em que o pecado nos deixou no mundo, e do resgate glorioso da graça restauradora. Tudo o que fazemos no culto: os cânticos, a leitura bíblica, a pregação da Palavra, as orações são projetadas para nos aperfeiçoarem à imagem de Cristo. Domingo após domingo, culto após culto, a glória de Deus confronta os nossos corações inconstantes.

Deus nos ordenou que o cultuássemos em um dia específico porque ele conhece as lutas dos nossos corações, Ele sabe que somos facilmente distraídos com as propostas deste mundo, e facilmente nos entregamos à murmuração, descontentamento e autocomiseração. Quão facilmente nos esquecemos da profundidade dos nossos pecados e das ricas provisões na luta contra eles que temos em Cristo.  Somos, com muita facilidade, enganados por pequenas mentiras e desencorajados por pequenos obstáculos. Somos iludidos facilmente pela autojustiça.

Portanto, quando você deixa de cultuar (seja para fazer uma viagem de lazer, sair com os amigos, ou ficar assistindo o fantástico), você perde a rica oportunidade de ser tocado pela glória de Deus, animado e resgatado. O culto é desenhado para confrontá-lo e animá-lo. Não ache que você encontrará esperança, vida e ajuda em outro lugar, pois não encontrará.

3 – Expectativas erradas.

Uma outra questão que faz as pessoas deixarem de cultuar ao senhor são expectativas não realistas e não bíblicas a respeito da igreja. Estar numa família da fé, não significa estar em uma família perfeita. As pessoas que estão lá não são sempre pessoas agradáveis. Assim como você, eles não param de ser pecadores no momento em que começam a crer em Jesus. Eles não se tornam instantaneamente em pessoas sociáveis com conversas brilhantes, companheiros estimulantes e presenças inspiradoras. Vários deles são mal-humorados, enfadonhos e outros são difamadores. Mas a Palavra nos diz que eles são os nossos irmãos na fé, ou seja, a nossa família. Se Deus é de fato o seu pai, então, não lhe resta outro caminho, eles são seus irmãos.

Que atitudes as pessoas tem quando estão inseridas em uma dessas categorias?

  1. Alguns fogem e fingem que essa família não existe.
  2. Alguns ficam pulando de família em família tentando achar uma que lhes agrade (bem isso nunca vai acontecer, então…).
  3. Alguns vivem de visitas ocasionais, seja em sua própria igreja onde são “membros”, seja em outras comunidades.
  4. Alguns só aparecem quando das festas (acampamentos, aniversários, conferências).
  5. Alguns não tem coragem de sair, mas motivam que outros o façam em seu lugar, através de uma postura sempre crítica da liderança, da pregação, da maneira como o dinheiro é usado, etc.

Eu gostaria de te convidar a buscar o que Deus tem em mente ao te colocar em uma igreja local, ou seja, viver em harmonia e alegria, desenvolver a maturidade que promove graça com aqueles que antes você via como um incômodo. A Bíblia desconhece o cristão solitário. A própria criação não estava completa até haver comunidade, Adão precisando de Eva antes que a comunidade fosse completada. Deus nunca opera com indivíduos em isolamento, mas sempre com pessoas em comunidade.

Qual é a grande expectativa da maioria dos cristãos? Viver no céu, no entanto, se esquecem que quando vivem em comunidade, quando cultuam juntos já estão começando a apreciar a vida que será completada na eternidade. Não querer estar com o povo de Deus aqui na terra é não querer estar com o povo de Deus no céu.

 

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